Os utensílios acessíveis de Amélia

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Amélia e os técnicos Andrew e Thiago sentados à mesa com seus 6 certificados de oficinas no Fab Lab Livre SP

Aqui no Fab Lab CEU Três Pontes temos usuários que se destacam não só por suas criações, como também pelo seu engajamento em inspirar outras pessoas com ideias, projetos e atitudes. Entre essas pessoas, temos uma moradora do Jardim Romano que se chama Amélia. Preparamos uma entrevista com ela para saber um pouco mais sobre sua experiência no Fab Lab Livre SP.

 

Como você conheceu o Fab Lab e qual a sua primeira impressão sobre ele?

Gostei demais! Tudo que vi foi muito interessante, mas achava inacessível pra mim, pois vi a impressora 3D, as aplicações com Arduíno e inclusive uma mão robótica, e pensei que fosse complicado demais mexer com tecnologias tão avançadas, além disso pensava que o foco desse projeto era apenas para os mais jovens (adolescentes).

 

O que motivou você a continuar frequentando o Fab Lab, mesmo com os empecilhos que enxergou inicialmente?

Os técnicos me motivaram a fazer as oficinas e transformar ideias que tinha em projetos; assim me mostraram que eu tenho capacidade para criar diversos utensílios que me auxiliem no dia a dia. Devido a um acidente que sofri, não tenho o movimento do braço esquerdo e aqui descobri que posso facilitar minhas atividades diárias, como cozinhar, fazer bolo, cortar alimentos e outras coisas simples que uma pessoa com deficiência acaba tendo dificuldade de fazer.

 

Quais são as suas principais criações desenvolvidas aqui?

A minha predileta é uma tábua de cozinha que se acopla à pia e prende os alimentos, assim não há necessidade de segurar nem a tábua, nem os alimentos. Outro interessante é suporte para cabo de panela que evita sua rotação quando mexo a comida, mas o que mais que mais gerou repercussão foi o suporte para tigela de batedeira, nele eu consigo passar a massa do bolo para a assadeira sem precisar da mão esquerda. Fiquei muito feliz em saber que o vídeo sobre esse suporte foi exibido em vários lugares, até na China.

 

O que mudou ao iniciar as suas atividades e desenvolver seus projetos?

Tudo! Antes eu era apenas uma aposentada sem perspectivas em minha vida. Agora que frequento o Fab Lab Livre SP, descobri que tenho potencial para ajudar pessoas com a mesma deficiência que eu. Hoje sei que não sou mais um número, mas uma pessoa que pode fazer a diferença. Até me motivei a voltar a estudar e tenho outros objetivos pela frente.

 

E quais são as suas perspectivas para o futuro?

Quando terminar o ensino médio quero fazer faculdade de design de produto. Quem sabe um dia eu trabalhe no Fab Lab Livre SP. Um grande desejo que tenho é desenvolver órteses de contenção de atrofia. Já tenho o projeto da primeira, só falta o acompanhamento médico para que eu possa testar com segurança. Espero poder usá-la em breve.

 

Qual a sua conclusão sobre essa experiência que está vivendo?

Quero fazer com que mais pessoas conheçam esse projeto maravilhoso, pois ele é inovador e tem feito a diferença na comunidade carente onde vivo. Hoje temos acesso a todas as ferramentas, equipamentos e principalmente o conhecimento para criar quase qualquer coisa, e do zero.